Como descobrir o que fazer da vida quando você ainda não sabe
Sabe quando parece que todo mundo já sabe o que quer fazer e você está ali pensando: “Tá, mas e eu?” Na escola, na família e até nas redes sociais, dá a impressão de que existe uma idade certa para escolher uma profissão, uma faculdade e praticamente o resto da vida.
Só que não funciona bem assim.
Muita gente chega ao fim da escola sem saber o que fazer da vida, e isso não significa que esteja atrasada ou que tenha algum problema. A adolescência é justamente uma fase em que a gente começa a descobrir melhor quem é, do que gosta e quais caminhos poderia seguir.
O problema é que, enquanto você ainda está tentando descobrir tudo isso, já aparecem perguntas como “qual faculdade você vai fazer?” e “o que você quer ser?”. Às vezes, dá vontade de responder “não faço ideia” e mudar de assunto.
E tudo bem não ter uma resposta pronta.
Por que é tão difícil saber o que fazer da vida na adolescência?
Porque você ainda está conhecendo várias partes de si mesma.
Os seus interesses podem mudar bastante nessa fase. Uma matéria que você adorava no ano passado pode deixar de chamar atenção. Um hobby que parecia só uma brincadeira pode virar uma possibilidade profissional. E uma profissão que parecia perfeita quando você tinha 14 anos pode não fazer mais sentido alguns anos depois.
Além disso, existe uma pressão para escolher cedo. Escola, família, amigos e redes sociais acabam criando aquela sensação de que você deveria já ter um plano completo.
Só que ninguém entrega um manual dizendo quando você precisa decidir tudo.
E se eu escolher cedo demais?
Esse medo é bem comum. Afinal, quando a gente pensa em profissão, parece que está escolhendo algo definitivo.
Mas escolher uma área agora não significa obrigatoriamente passar o resto da vida nela.
Você pode fazer uma faculdade e mudar de área depois. Pode descobrir um interesse novo durante o curso. Pode começar trabalhando em uma coisa e perceber que prefere outra. Pode até juntar interesses diferentes e construir uma carreira que você nem imaginava que existia.
Por isso, talvez seja mais útil pensar em uma direção do que tentar descobrir uma resposta definitiva.
E quando eu tenho medo de decepcionar minha família?
Essa parte pode ser complicada.
Às vezes você gosta de determinada área, mas sente que seus pais esperam outra profissão. Ou você pensa em escolher uma carreira porque parece mais segura, mesmo sem ter muito interesse nela.
Ouvir a opinião de pessoas próximas pode ajudar, principalmente porque elas podem enxergar habilidades suas que você não percebe. Mas a decisão também precisa levar em conta aquilo que você realmente consegue se imaginar fazendo.
Não precisa decidir tudo de uma vez.
Por onde começar quando você não sabe o que fazer da vida?
Antes de pesquisar dezenas de profissões, vale começar por uma coisa bem simples: observar você mesma.
Quais atividades você costuma procurar espontaneamente? Que assuntos despertam sua curiosidade? O que você gosta de aprender? Que tarefas você faz com facilidade? E quais coisas você definitivamente não gostaria de fazer todos os dias?
Não precisa encontrar uma “grande paixão”.
Essa ideia de que todo mundo possui uma única paixão escondida esperando para ser descoberta pode mais atrapalhar do que ajudar. Você pode gostar de várias coisas ao mesmo tempo e, inclusive, descobrir interesses novos conforme cresce.
Como descobrir do que eu realmente gosto?
Uma forma prática é começar a prestar atenção no seu dia a dia.
Se você gosta de escrever, por exemplo, pode experimentar diferentes formas de escrita. Se gosta de organizar coisas, pode observar se também gosta de planejamento. Se prefere criar coisas, pode testar desenho, fotografia, edição, artesanato ou outras atividades.
O objetivo não é transformar cada hobby em profissão.
É perceber padrões.
Talvez você goste muito de conversar e ajudar pessoas. Talvez prefira trabalhar sozinha e concentrada. Talvez adore resolver problemas. Talvez goste de criar coisas novas. Essas pequenas pistas podem ajudar bastante quando você começa a pesquisar possíveis áreas profissionais.
Você também pode anotar essas descobertas no celular ou em um caderno. Não precisa fazer um questionário enorme. Algumas anotações ao longo das semanas já podem mostrar coisas que você não tinha percebido.

E os talentos que eu nem percebo?
Isso acontece bastante.
Às vezes você acha normal uma habilidade sua justamente porque faz aquilo com facilidade. Pode ser saber ouvir alguém, explicar um assunto, organizar uma atividade, perceber detalhes, trabalhar em grupo ou encontrar soluções quando alguma coisa dá errado.
Vale perguntar para pessoas que convivem com você quais características elas consideram seus pontos fortes. Não precisa aceitar tudo como verdade absoluta, claro. A ideia é apenas conseguir outros pontos de vista.
Como descobrir quais profissões combinam comigo?
Depois de entender um pouco melhor seus interesses, chega a hora de olhar para as possibilidades.
E aqui vale pesquisar de verdade como é cada profissão, não apenas o nome bonito dela.
Uma profissão pode parecer interessante na internet e ser completamente diferente na prática. Pesquise sobre rotina, formação necessária, áreas de atuação, ambiente de trabalho e tipos de atividades que fazem parte daquele dia a dia.
Também vale conversar com pessoas que já trabalham na área.
Pergunte como é a rotina, o que elas gostam, o que acham cansativo e quais caminhos fizeram até chegar ali. Às vezes uma conversa de vinte minutos esclarece uma dúvida que você ficaria horas tentando resolver sozinha.
Informações sobre orientação profissional e escolha de carreira
Preciso escolher uma profissão agora?
Não necessariamente.
Se você ainda está na escola, pode usar esse período para experimentar. Um curso curto, um projeto, um hobby, uma atividade extracurricular ou até uma experiência voluntária podem ajudar a entender melhor seus interesses.
E você não precisa gostar de tudo que testar.
Na verdade, descobrir que determinada área não combina com você também é uma informação útil.
Se você sempre imaginou que adoraria uma atividade e, depois de experimentar, percebeu que não gostou, ótimo. Agora você sabe um pouco mais sobre o que procura.
Isso parece simples, mas evita aquela ideia de que toda experiência precisa virar uma decisão profissional.
E se eu gostar de várias coisas ao mesmo tempo?
Pode acontecer de você gostar de desenho, tecnologia, comunicação e ainda ter interesse por alguma área completamente diferente.
Não precisa escolher imediatamente uma só.
Algumas profissões permitem justamente misturar habilidades diferentes. Uma pessoa que gosta de comunicação e tecnologia, por exemplo, pode encontrar caminhos que envolvam as duas áreas. Quem gosta de organização e pessoas pode descobrir possibilidades em áreas diferentes das que imaginava inicialmente.
Por isso, em vez de pensar “qual dessas coisas eu tenho que abandonar?”, tente pesquisar onde esses interesses podem se encontrar.
E, se não houver uma combinação óbvia, tudo bem também.
Como lidar com a comparação com outras pessoas?
Essa talvez seja uma das partes mais chatas de tudo isso.
Você entra nas redes sociais e vê alguém da sua idade falando sobre faculdade, estágio, curso, intercâmbio ou planos para o futuro. De repente, parece que você está ficando para trás.
Só que você está vendo um pedacinho da vida daquela pessoa.
Não dá para saber quanto tempo ela levou para decidir, se mudou de ideia, se está realmente feliz com a escolha ou se também tem dúvidas que não publica.
Além disso, cada pessoa começa a pensar no futuro em momentos diferentes. Algumas já sabem uma área que querem explorar aos 15 anos. Outras só começam a descobrir isso aos 18, 20 ou depois.
Não existe um cronograma universal.
O que fazer quando parece que todo mundo já sabe o que quer?
Tente trocar a pergunta “o que eu vou fazer da vida?” por perguntas menores.
Por exemplo: “O que eu gostaria de conhecer melhor?”, “Qual profissão quero pesquisar esta semana?” ou “Que atividade eu poderia experimentar?”
Uma pergunta enorme pode deixar tudo mais confuso. Uma pergunta menor costuma ser mais fácil de responder.
E se a resposta for “ainda não sei”, ela também serve.

E quando chega a hora de escolher uma faculdade?
Se você já está pensando em faculdade, vale separar duas coisas: escolher uma área e escolher uma instituição.
São decisões relacionadas, mas não exatamente iguais.
Primeiro, tente entender quais cursos despertam seu interesse e o que cada um envolve. Depois, pesquise instituições, grade curricular, localização, custos e outros fatores que façam diferença para você.
Se essa etapa já começou a aparecer na sua rotina, também pode ajudar ler o artigo Como Escolher a Faculdade Certa sem Perder Tempo, porque ele aborda justamente essa escolha de uma forma mais prática.
Preciso ter um propósito para saber o que fazer da vida?
Não.
A palavra “propósito” às vezes parece carregar uma responsabilidade enorme. Como se você precisasse descobrir uma missão especial e seguir aquilo para sempre.
Na prática, pode ser muito mais simples.
Talvez você queira ter um trabalho de que goste. Talvez queira ajudar outras pessoas. Talvez queira ter estabilidade financeira. Talvez queira trabalhar com criatividade. Talvez ainda não saiba.
E seus motivos podem mudar.
Uma coisa que parece importante aos 16 anos pode perder espaço alguns anos depois. Isso não significa que você tomou uma decisão errada. Significa apenas que você mudou.
Quanto tempo leva para descobrir o que fazer da vida?
Não existe um prazo.
Algumas pessoas têm uma ideia relativamente cedo. Outras experimentam várias áreas antes de encontrar uma que realmente combina com elas. Também existem pessoas que mudam de profissão depois de adultas.
Por isso, não vale transformar a descoberta em uma corrida.
O que você pode fazer agora é continuar acumulando informações sobre si mesma e sobre as possibilidades que existem. Aos poucos, algumas opções começam a fazer mais sentido e outras deixam de interessar.
O que fazer quando eu ainda não sei?
Comece pequeno.
Escolha uma profissão para pesquisar. Converse com alguém que trabalha nessa área. Faça uma atividade relacionada. Assista a uma aula introdutória. Leia sobre o curso necessário. Anote o que chamou sua atenção e o que não pareceu interessante.
Depois, faça o mesmo com outra possibilidade.
Não parece tão grandioso quanto “descobrir meu futuro”, mas é muito mais fácil de colocar em prática.
Então, afinal, como descobrir o que fazer da vida?
Você não precisa sair deste artigo sabendo exatamente qual profissão vai escolher.
Talvez o melhor resultado seja terminar com algumas possibilidades para pesquisar e algumas coisas que você já sabe que não quer.
Comece observando seus interesses, reconheça suas habilidades, conheça profissões diferentes e experimente atividades sempre que tiver oportunidade. Converse com pessoas, pesquise a rotina das áreas que chamam sua atenção e não trate uma primeira escolha como uma sentença para o resto da vida.
E, principalmente, não transforme a dúvida em motivo para achar que você está atrasada.
Você ainda pode mudar de ideia. Pode descobrir algo novo. Pode perceber que aquela profissão que parecia perfeita não combina tanto com você. Pode encontrar outra que nunca tinha considerado.
No momento, talvez você não precise descobrir exatamente o que fazer da vida. Pode ser suficiente descobrir qual é a próxima coisa que vale a pena conhecer.
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