aprendi-depois-da-maternidade sobre as mudanças na rotina e nas prioridades

Coisas que aprendi depois da maternidade

Tem coisa que a gente só entende depois que vira mãe. Não porque ninguém tenha contado antes, mas porque algumas situações simplesmente não fazem sentido até acontecerem com a gente.

Quando pensamos em maternidade, é comum falar das noites maldormidas, das fraldas, da amamentação, da mamadeira e de toda aquela mudança de rotina. Só que, no meio disso tudo, aparecem outros aprendizados que não têm muito a ver com cuidar de um bebê. Eles mudam a maneira como a gente organiza o dia, escolhe nossas prioridades e até enxerga o próprio tempo.

Eu sou a Rebecca, mãe da Helena e moradora de Balneário Camboriú, e depois que ela nasceu comecei a perceber algumas dessas mudanças em coisas bem pequenas do cotidiano. Uma reunião remarcada, um café tomado frio, um passeio que virou o melhor momento do dia…

Foi assim, aos poucos, que fui entendendo algumas coisas que antes eu nem imaginava.

O que realmente continua sendo prioridade depois que o bebê chega?

Antes da maternidade, eu tinha uma ideia bem diferente de produtividade. Queria dar conta do trabalho, da casa, dos compromissos, dos planos e, se possível, ainda manter tudo organizado.

Depois que a Helena chegou, algumas dessas coisas simplesmente perderam espaço.

Não é que o trabalho ou a organização tenham deixado de importar. Eles continuam importantes. Só que agora existe uma criança que pode acordar justamente quando eu precisava terminar alguma coisa. E, sinceramente, não adianta muito ficar irritada com isso.

Passei a escolher melhor onde colocar minha energia. Nem toda tarefa precisa ser feita naquele momento e nem toda bagunça precisa ser resolvida imediatamente.

Um passeio com a Helena na praia, por exemplo, passou a ter um valor que eu não enxergava antes. Antes eu poderia pensar que estava “perdendo tempo”. Hoje, dependendo do dia, é justamente o que eu precisava.

E o planejamento do dia? Mudou completamente

Minha agenda também ficou bem menos rígida.

Teve uma manhã em que eu tinha uma reunião importante marcada para as 10h. Só que a Helena acordou febril, meu marido precisou sair mais cedo e, de repente, tudo o que estava planejado deixou de fazer sentido.

Tive que avisar, remarcar a reunião e ficar com ela.

Parece uma situação simples, mas foi uma daquelas experiências que mudaram minha maneira de organizar a rotina. Hoje tento deixar espaço para o que não está na agenda, porque sempre existe alguma coisa que pode aparecer.

Nem sempre dá para planejar tudo. E quando a gente aceita isso, o dia fica um pouco mais fácil.

O meu “tempo livre” também mudou

Outra coisa que mudou foi a ideia de tempo para mim.

Antes, eu imaginava que precisava de algumas horas para realmente descansar. Depois da maternidade, comecei a perceber que dez minutos tranquilos também contam.

Um banho sem pressa, um chá ainda quente, algumas páginas de um livro enquanto a Helena dorme ou uma caminhada curta já podem fazer diferença.

Nem sempre consigo fazer tudo isso. Tem dias em que o chá fica esquecido e o livro continua no mesmo lugar. Mas aprendi a aproveitar melhor quando esses pequenos intervalos aparecem.

Como a maternidade me ensinou a lidar melhor com os imprevistos?

Se tem uma coisa que a maternidade trouxe para a minha vida foi uma certa flexibilidade.

Bebês não estão muito preocupados com a nossa agenda. Eles não sabem que temos uma reunião, uma louça esperando ou uma lista de coisas para resolver.

No começo, eu ainda tentava fazer tudo seguindo horários bem certinhos. Com o tempo, fui entendendo que algumas coisas simplesmente vão sair do planejado.

E isso não significa que o dia deu errado.

Às vezes significa apenas que o dia tomou outro caminho.

Aquela situação da reunião que precisei cancelar por causa da Helena foi um exemplo disso. Eu tinha planejado uma coisa, aconteceu outra e precisei mudar os planos. Hoje tento fazer isso sem transformar cada imprevisto em um problema enorme.

aprendi-depois-da-maternidade sobre autocuidado e pequenos momentos do dia

Paciência também entra nessa história

A paciência é outro aprendizado diário.

Tem tarefas que precisam ser repetidas várias vezes. Tem dias em que parece que a rotina não anda. E tem momentos em que a única coisa que a gente queria era terminar uma atividade sem ser interrompida.

A maternidade me fez perceber que nem tudo precisa de uma resposta imediata.

Às vezes é melhor parar por alguns segundos, reorganizar o que dá e continuar. Não funciona sempre, claro. Mas já ajuda bastante.

Por que comecei a enxergar o autocuidado de outro jeito?

Antes de ser mãe, eu associava autocuidado a coisas que exigiam mais tempo: sair, fazer alguma atividade, passar algumas horas em um lugar tranquilo ou simplesmente ter uma tarde livre.

Depois, minha definição ficou bem mais simples.

Hoje, autocuidado também pode ser tomar banho com calma, sair para caminhar, ler algumas páginas ou ficar alguns minutos sem fazer absolutamente nada.

Não parece muita coisa. Na prática, quando a rotina está corrida, pode ser bastante.

Aqui em Balneário Camboriú, por exemplo, um passeio no fim da tarde com a Helena se tornou uma das coisas que mais gosto de fazer. Não precisa ser um programa elaborado. Às vezes é só sair de casa, caminhar um pouco e voltar.

Inclusive, se você também sente que sua rotina ficou completamente diferente depois dos filhos, vale ler o meu outro artigo, Rotina leve para mães cansadas, porque nele falo justamente sobre maneiras mais simples de organizar os dias sem transformar a rotina em uma lista interminável de obrigações.

Pequenos cuidados cabem na rotina

Uma das coisas que mais precisei aprender foi parar de esperar o momento perfeito.

Se eu esperar por uma tarde inteira livre para descansar, talvez ela nunca apareça.

Então comecei a aproveitar os pequenos espaços que surgem. Cinco minutos tomando café, uma caminhada curta, uma conversa tranquila ou alguns minutos lendo já podem ser suficientes naquele dia.

Tem dias que isso funciona. Em outros, nem tanto.

Mas pelo menos parei de achar que preciso de muito tempo para fazer alguma coisa por mim.

A maternidade mudou meus relacionamentos também?

Mudou bastante.

Quando chega um bebê, a relação com o parceiro passa por uma fase completamente nova. Surgem tarefas, decisões, cansaço e uma quantidade enorme de pequenas coisas para resolver durante o dia.

Nesse período, percebi o quanto a comunicação faz diferença.

Nem sempre os dois vão estar pensando da mesma maneira. Às vezes um está cansado e o outro também. Às vezes uma pessoa acha que fez bastante e a outra sente que ficou com mais coisas para resolver.

Conversar ajuda muito mais do que tentar adivinhar o que o outro está pensando.

Também passei a enxergar minha família de outra forma. A chegada da Helena aproximou algumas pessoas e trouxe novas formas de convivência. A gente começa a perceber quem está por perto, quem ajuda, quem pergunta como você está e quem simplesmente aparece.

São detalhes que, antes, talvez passassem despercebidos.

E o vínculo com o filho?

Esse é difícil de explicar sem cair em frases prontas, então vou deixar simples: muda tudo.

A relação com a Helena foi sendo construída nos detalhes. Nos momentos em que ela procura meu olhar, nas pequenas descobertas, nas brincadeiras, nos dias mais tranquilos e também nos mais cansativos.

A maternidade me fez perceber que vínculo não acontece em um único momento. Ele vai sendo construído na rotina.

aprendi-depois-da-maternidade sobre organização e rotina familiar

Como organizar a casa sem ficar obcecada com a bagunça?

Essa foi outra mudança importante.

Eu gostava de ver a casa organizada. Ainda gosto. Só que hoje tenho uma visão bem diferente sobre o que significa uma casa arrumada.

Com criança pequena, a casa nem sempre vai parecer uma foto de revista. E tudo bem.

Às vezes eu começo a guardar os brinquedos e, cinco minutos depois, a Helena já tirou metade deles de novo. Em outras ocasiões, começo arrumando a cozinha e termino organizando uma gaveta que nem estava nos planos.

Isso parece específico demais, mas acontece.

Por isso, comecei a pensar mais em praticidade do que em perfeição. O objetivo passou a ser ter uma casa que funcione para nós, e não uma casa impecável o tempo inteiro.

O que ajuda de verdade na rotina?

Listas mais flexíveis ajudam. Dividir algumas tarefas também.

Se existe a possibilidade de delegar alguma coisa, melhor ainda. Não precisa ser tudo dividido de maneira perfeita todos os dias. A rotina muda, as necessidades mudam e a energia disponível também.

Aplicativos de organização podem ajudar algumas pessoas, assim como uma lista simples no papel. Eu gosto de deixar as tarefas mais importantes visíveis e não colocar vinte coisas para fazer em um único dia.

Porque aí já começa errado.

Hoje prefiro escolher o que realmente precisa ser feito e deixar o restante para quando houver tempo.

Menos coisas também podem significar menos trabalho

Outra coisa que fui percebendo é que simplificar ajuda.

Quanto mais coisas temos para organizar, guardar, limpar e lembrar, mais trabalho aparece.

Não significa viver com uma casa vazia ou jogar tudo fora. É mais sobre pensar se aquilo realmente facilita a vida da família ou se só está ocupando espaço.

Depois da maternidade, comecei a gostar muito mais do que é prático. Se uma solução deixa a rotina mais fácil, já ganhou alguns pontos comigo.

No fim, acho que uma das maiores coisas que aprendi depois da maternidade foi justamente essa: eu não preciso fazer tudo do mesmo jeito que fazia antes.

Algumas prioridades mudaram. Meu tempo mudou. A casa mudou. Minha forma de planejar também.

E ainda estou aprendendo.

Tem dia em que a rotina funciona direitinho. Tem dia em que nada sai como planejado e eu termino a noite pensando que amanhã posso tentar de novo.

Talvez seja isso que torna a maternidade tão cheia de pequenas descobertas. Não existe uma fórmula que funcione todos os dias. A gente vai ajustando conforme a vida acontece.

E, no meio dessa bagunça toda, algumas coisas que aprendi depois da maternidade acabam ficando para sempre.

Sobre o Autor

Rebecca Alencar
Rebecca Alencar

Rebecca Alencar Mota tem 25 anos e acredita que o amor e o propósito são a base de uma vida plena. Casada e mãe, ela encontra nas pequenas alegrias e nos recomeços o verdadeiro sentido de viver. Gosta de escrever sobre fé, equilíbrio e as lições que surgem com o amadurecimento. No blog Adoráveis e Vencedoras, Rebecca compartilha textos que acolhem e inspiram mulheres em diferentes fases da vida. Sua escrita transmite calma, esperança e a beleza dos momentos simples.

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