Amizade falsa na adolescência entre adolescentes

Sinais de amizade falsa na adolescência: como perceber quando uma amizade não faz mais bem

Tem amizade que começa super bem. Vocês conversam todos os dias, fazem planos, contam segredos e parece que finalmente você encontrou aquela pessoa que vai estar do seu lado para tudo.

Só que, com o tempo, algumas coisas começam a ficar estranhas.

Você percebe que só é chamada quando alguém precisa de alguma coisa, que certas brincadeiras sempre acabam sobrando para você ou que existe uma competição meio disfarçada em quase tudo. Às vezes, nem acontece uma coisa enorme. São pequenas situações que vão se acumulando.

É aí que pode aparecer aquela dúvida: será que essa amizade é realmente uma amizade?

Falar sobre amizade falsa na adolescência é importante justamente porque, nessa fase, as amizades ocupam um espaço enorme na nossa rotina. Escola, mensagens, festas, trabalhos em grupo, passeios… quase tudo acaba envolvendo outras pessoas.

E quando uma amizade começa a machucar, nem sempre é fácil perceber o que está acontecendo.

Mas o que seria uma amizade falsa na adolescência?

Não precisa existir uma grande briga para uma amizade deixar de ser saudável.

Uma amizade falsa na adolescência pode aparecer quando existe pouca reciprocidade, falta de respeito ou quando uma das pessoas parece estar naquela relação mais por conveniência do que por carinho. É aquela sensação de que você está sempre dando mais do que recebe.

Pode ser a amiga que só manda mensagem quando precisa de ajuda com uma tarefa. Ou que aparece quando quer companhia, mas nunca está disponível quando você precisa dela.

Também pode ser alguém que está sempre fazendo comentários que diminuem você, que transforma suas conquistas em competição ou que conta coisas suas para outras pessoas.

E tem uma diferença importante aqui: uma amizade verdadeira também tem problemas. Amigas discordam, ficam chateadas, se afastam por alguns dias e até falam coisas que depois percebem que não deveriam ter falado.

O problema é quando isso vira um padrão.

Quais sinais de amizade falsa merecem atenção?

Nem todo sinal significa automaticamente que alguém é uma amiga falsa. Às vezes a pessoa está passando por um momento ruim, vocês simplesmente estão em fases diferentes ou aconteceu um mal-entendido.

Mas, quando várias dessas situações começam a se repetir, vale observar melhor.

Ela vive competindo com você?

Você conta que foi bem em uma prova e ela imediatamente fala da nota dela.

Você compra alguma coisa que gostou e ela precisa dizer que o dela é melhor.

Você recebe um elogio e, em vez de comemorar junto, ela encontra alguma coisa para criticar.

Uma competição ocasional pode acontecer. O problema é quando parece que a pessoa precisa estar sempre um passo à frente.

Amizade não deveria parecer uma disputa de quem é mais bonita, mais popular, mais inteligente ou quem tem a vida mais interessante.

Ela só aparece quando precisa de alguma coisa?

Esse é um dos sinais mais fáceis de perceber depois que você começa a prestar atenção.

A pessoa manda mensagem quando precisa de uma resposta da lição, quer pegar alguma coisa emprestada, precisa de companhia para algum lugar ou quer desabafar.

Mas quando você precisa dela, nunca dá.

Isso pode acontecer uma vez ou outra. Todo mundo tem dias corridos. Mas se a relação inteira funciona assim, provavelmente existe um desequilíbrio aí.

Uma amizade não precisa ser exatamente 50/50 todos os dias. Tem época em que uma pessoa precisa mais da outra mesmo. Só que, no geral, as duas deveriam se importar.

Amizade falsa na adolescência e exclusão entre amigas

E quando a amiga fala mal de todo mundo?

Essa situação é bem complicada porque, no começo, pode até parecer que vocês estão ficando mais próximas.

A pessoa conta um segredo de outra colega, comenta alguma coisa que aconteceu na escola e vocês acabam conversando sobre aquilo. Só que depois você começa a perceber que ela faz a mesma coisa com praticamente todo mundo.

E aí bate aquela dúvida: se ela conta as coisas dos outros para mim, será que também conta as minhas?

Não dá para afirmar que sim em todos os casos, mas é um comportamento que merece atenção.

Você não precisa participar de toda fofoca para continuar amiga de alguém. Dá para mudar de assunto, não comentar ou simplesmente não alimentar aquela conversa.

Isso também vale para aquela amiga que transforma qualquer coisa sua em assunto para o grupo.

Se você contou algo em confiança e aquilo virou comentário entre várias pessoas, não é exagero ficar chateada. Confiança existe justamente para que certas coisas permaneçam entre vocês.

E aquela inveja que aparece disfarçada de conselho?

Nem todo conselho é inveja, obviamente.

Uma amiga pode discordar de você, apontar alguma coisa que talvez não seja uma boa ideia e continuar sendo uma ótima amiga. O que muda é a maneira como isso acontece.

Se toda conquista sua vem acompanhada de uma crítica, se a pessoa nunca consegue simplesmente ficar feliz por você ou se sempre encontra um jeito de diminuir aquilo que você está comemorando, talvez exista um problema na relação.

Às vezes, isso vem de insegurança. Mas entender o motivo não significa que você precise aceitar qualquer comportamento.

Quando você percebe que está sobrando no grupo

Essa parte costuma doer bastante.

Você descobre que suas amigas saíram juntas e não te chamaram. Depois acontece de novo. E de novo. Ou você chega na escola e percebe que todo mundo já sabe de um plano que ninguém contou para você.

Uma situação isolada pode acontecer. Às vezes foi uma saída pequena, um convite esquecido ou alguma coisa que simplesmente surgiu.

Mas quando você está constantemente sendo deixada de fora, a história muda.

A famosa “panelinha” também pode aparecer assim. Um grupo começa a fazer planos separado, cria conversas das quais você nunca participa e, aos poucos, você fica com a sensação de que precisa disputar um lugar ali.

E você não deveria precisar disputar para ser tratada com consideração.

Você sente que precisa mudar para continuar no grupo?

Esse é outro sinal que vale observar.

Talvez você tenha começado a fingir que gosta de determinadas coisas porque suas amigas gostam. Ou evita dar sua opinião porque sabe que vão rir. Ou sente que precisa se vestir, falar e agir de determinada maneira para continuar sendo aceita.

Uma coisa é experimentar coisas novas porque você quer.

Outra é sentir que precisa apagar partes da sua personalidade para não perder suas amizades.

Você pode gostar de uma música diferente, preferir ficar em casa em vez de sair, não achar graça de uma determinada piada ou simplesmente ter uma opinião diferente. Isso não deveria fazer você se sentir obrigada a virar outra pessoa.

E se eu estiver apenas imaginando tudo isso?

Essa dúvida aparece bastante.

Quando alguma coisa incomoda, é fácil pensar: “Será que estou exagerando?”

Por isso, em vez de analisar uma situação isolada, tente olhar para o conjunto. Como você costuma se sentir depois de passar tempo com essa pessoa? Você fica tranquila ou passa horas pensando no que ela falou? Sente que pode ser você mesma ou fica tomando cuidado com cada palavra?

Também vale observar se você se sente respeitada.

Não é necessário transformar toda sensação ruim em uma conclusão definitiva. Mas também não precisa ignorar algo que está acontecendo repetidamente só porque tem medo de parecer exagerada.

Às vezes, a nossa percepção muda quando começamos a prestar atenção nos detalhes.

Amizade falsa na adolescência e amizades verdadeiras

O que fazer quando uma amizade começa a machucar?

Essa provavelmente é a parte mais difícil.

Quando alguém foi importante para você, não é simples simplesmente decidir que acabou. Vocês podem ter muitas lembranças boas juntas. Talvez estudem na mesma sala, tenham outras amigas em comum ou façam parte do mesmo grupo.

Por isso, não existe uma única maneira de lidar com uma amizade complicada.

Dá para conversar primeiro?

Se você ainda gosta da pessoa e acha que existe espaço para melhorar a relação, conversar pode ser uma opção.

Tente falar sobre situações específicas e explicar como aquilo fez você se sentir, em vez de começar uma discussão cheia de acusações.

Por exemplo, em vez de dizer que a pessoa “nunca se importa com você”, você pode falar sobre uma situação em que se sentiu deixada de lado.

A reação dela também diz bastante.

Uma amiga pode ficar surpresa, discordar ou até precisar de um tempo para pensar. Isso é diferente de alguém que debocha do que você sente, tenta colocar toda a culpa em você ou usa aquilo que você contou para te machucar depois.

E se eu preferir me afastar?

Você também pode diminuir o contato aos poucos.

Não precisa necessariamente existir uma briga, um anúncio oficial ou um grande encerramento. Às vezes, você simplesmente começa a conversar menos, deixa de contar coisas pessoais e passa mais tempo com outras pessoas.

Se a convivência estiver te fazendo mal, também pode ser necessário silenciar, deixar de seguir ou bloquear alguém nas redes sociais. Isso depende da situação.

E, se houver humilhação, ameaças, perseguição, exposição de mensagens ou qualquer situação que faça você se sentir insegura, procure um adulto de confiança, como um responsável, professor ou orientador da escola.

Como são as amizades que realmente fazem bem?

Depois de viver uma amizade falsa na adolescência, é comum começar a prestar mais atenção no que você espera de uma amizade.

Não precisa ser aquela amizade perfeita de filme. Na vida real, amigas ficam irritadas, discordam e às vezes precisam de espaço.

O que faz diferença é existir respeito.

Uma amizade saudável permite que você seja você mesma. Você consegue contar uma coisa boa sem sentir que virou uma competição. Consegue falar sobre um problema sem medo de virar fofoca. E consegue dizer “não” sem achar que vai perder a amizade por causa disso.

Também existe espaço para cada uma ter outras amizades. Você não precisa estar grudada em uma única pessoa o tempo todo para provar que a amizade é verdadeira.

Aliás, isso pode ser até mais leve.

Se você está procurando ideias para aproveitar o tempo com suas amigas sem precisar gastar muito, também vale conferir Coisas para fazer em casa com as amigas nas férias. Às vezes, uma tarde simples com quem realmente faz bem já rende bons momentos.

Você não precisa continuar em uma amizade só porque ela é antiga

Essa talvez seja uma das coisas mais difíceis de aceitar.

Uma amizade pode ter sido muito boa e, ainda assim, deixar de funcionar com o tempo. As pessoas mudam, os grupos mudam, os interesses mudam. Nem sempre existe uma grande culpada nessa história.

O UNICEF também aborda a importância das amizades na adolescência e como o sentimento de pertencimento e rejeição entre os pares pode pesar bastante nessa fase.

Mas se uma relação passou a te diminuir, te deixar insegura ou fazer você sentir que precisa merecer um lugar, vale repensar essa amizade.

E não precisa sair cortando todo mundo por causa de uma discussão. O ponto é perceber padrões, observar como você é tratada e entender o que você aceita ou não dentro das suas relações.

Ter poucas amigas também não significa que há alguma coisa errada com você. Às vezes, é muito melhor estar perto de duas ou três pessoas com quem você realmente consegue ser você mesma do que tentar caber em um grupo inteiro.

No fim, reconhecer uma amizade falsa na adolescência não significa ficar desconfiada de todo mundo. Significa aprender, aos poucos, a perceber quando uma relação é boa para você e quando ela está começando a pesar mais do que deveria.

E isso leva tempo. Algumas amizades a gente entende rápido. Outras só ficam claras depois de algumas situações.

Faz parte.

Quer continuar lendo?

Você também pode conferir outros artigos sobre amizades, adolescência e relacionamentos no blog e encontrar mais conteúdos para essa fase da vida.

Sobre o Autor

Larissa Duarte
Larissa Duarte

Larissa Duarte Campos tem 15 anos e vive uma fase de descobertas e aprendizados. Curiosa e sonhadora, ela transforma pequenas experiências do dia a dia em reflexões cheias de leveza e sinceridade. Gosta de escrever sobre sentimentos, amizades e o processo de crescer sem perder a essência. No blog Adoráveis e Vencedoras, Larissa compartilha textos que refletem sua busca por autodescoberta autoconhecimento. Sua escrita é um convite para enxergar beleza nas simplicidades da vida.

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