Como virar uma mulher mais confiante sem tentar ser outra pessoa
Tem gente que entra em uma sala e parece estar completamente segura de si. Fala o que pensa, dá opinião sem ficar voltando atrás depois e passa aquela sensação de que sabe exatamente quem é. Aí bate aquele pensamento: “queria ser assim”.
O curioso é que muitas dessas mulheres também têm inseguranças. Só que elas aprenderam a não deixar que isso controle todas as decisões da vida.
Um estudo da KPMG realizado em 2020 mostrou que 75% das mulheres executivas já sentiram a famosa síndrome do impostor em algum momento da carreira. Mesmo assim, apenas 23% falam abertamente sobre o assunto. Ou seja, aquela sensação de não ser boa o suficiente é bem mais comum do que parece.
A boa notícia é que confiança não é um traço de personalidade reservado para algumas pessoas. Ela pode ser construída aos poucos, através de pequenas atitudes e mudanças de comportamento.
Afinal, o que é ser uma mulher confiante?
Muita gente imagina que uma mulher confiante nunca sente medo, nunca fica nervosa e sempre sabe exatamente o que fazer.
Na prática, não funciona assim.
Segundo a American Psychological Association (APA), autoconfiança é a crença na própria capacidade de enfrentar desafios e lidar com situações difíceis. Não significa ter certeza de que tudo vai dar certo. Significa confiar que você conseguirá lidar com o resultado, seja ele qual for.
E isso muda bastante a forma de enxergar as coisas.
Porque a confiança não está em nunca errar. Está em entender que errar não vai acabar com você.
Também vale separar confiança de arrogância. Uma pessoa arrogante acredita ser melhor que as outras. Uma pessoa confiante simplesmente não precisa provar nada o tempo inteiro.
Por que algumas mulheres parecem mais seguras?
Parte disso vem da experiência. Quanto mais você faz algo, mais confortável tende a ficar.
Mas existe outro ponto que quase ninguém comenta: muitas mulheres confiantes continuam sentindo insegurança. Elas apenas não esperam a insegurança desaparecer para agir.
Isso acontece em entrevistas de emprego, apresentações, encontros, viagens sozinha e até em coisas simples, como dar uma opinião diferente da maioria.
Esperar se sentir 100% pronta costuma ser uma armadilha. Esse momento raramente chega.

A confiança não nasce do nada
Se existe uma base para a autoconfiança, ela provavelmente é formada por duas coisas: autoconhecimento e autocuidado.
O autoconhecimento ajuda você a enxergar suas qualidades de forma mais realista. Parece simples, mas muita gente consegue listar rapidamente dez defeitos e trava quando precisa citar três pontos fortes.
Vale parar para pensar nisso de vez em quando.
O que você faz bem?
Quais problemas costuma resolver com facilidade?
O que as pessoas normalmente elogiam em você?
Não precisa ser algo extraordinário. Às vezes é organização. Às vezes é criatividade. Às vezes é a capacidade de ouvir os outros.
Já o autocuidado vai muito além de skincare ou dia de salão.
Dormir melhor, fazer algum tipo de atividade física, se alimentar de forma equilibrada e reservar um tempo para coisas que você gosta faz diferença no jeito como você se sente. Um estudo da Universidade de Berkeley apontou que dedicar apenas alguns minutos diários a atividades que geram sensação de competência ou satisfação pode melhorar significativamente os níveis de bem-estar ao longo do tempo.
Não parece revolucionário. E talvez não seja mesmo. Mas funciona.
Aquela sensação de não ser boa o suficiente tem nome
Se você já recebeu um elogio e pensou “foi sorte”, provavelmente conhece a síndrome do impostor.
Ela aparece quando a pessoa tem dificuldade de reconhecer as próprias conquistas e acredita que, em algum momento, os outros vão descobrir que ela não é tão competente quanto parece.
Pesquisas indicam que cerca de 70% das pessoas passam por isso em algum momento da vida, especialmente mulheres.
Uma colega da faculdade era exatamente assim. Tirava notas excelentes, dominava os assuntos e sempre ajudava todo mundo. Mas bastava precisar apresentar um trabalho para entrar em pânico.
Ela tinha certeza de que alguém faria uma pergunta que revelaria que ela não sabia nada.
Com o tempo, começou a praticar mais, gravar apresentações e pedir feedback de pessoas próximas. O nervosismo não desapareceu completamente, mas deixou de mandar em tudo.
A síndrome do impostor costuma perder força quando você começa a olhar para os fatos em vez de ouvir apenas aquela voz crítica da sua cabeça.
Aprender a falar o que você pensa muda muita coisa
Um dos hábitos mais importantes para desenvolver confiança é a assertividade.
Em outras palavras, aprender a expressar opiniões, necessidades e limites de forma clara, sem agressividade e sem pedir desculpas por existir.
Parece simples escrito assim.
Mas quem nunca concordou com algo só para evitar conflito?
Quem nunca aceitou uma tarefa extra quando já estava sobrecarregada?
Quem nunca ficou remoendo uma situação porque não conseguiu dizer o que realmente queria?
A assertividade ajuda justamente nisso.
Você não precisa ser grossa nem virar uma pessoa que fala tudo o que vem à cabeça. A ideia é conseguir se posicionar de forma respeitosa.
No começo pode parecer estranho. Depois fica mais natural.

Dizer “não” também faz parte da confiança
Esse assunto merece um espaço próprio porque muita gente associa confiança apenas à capacidade de falar.
Mas saber recusar também é importante.
Muitas mulheres cresceram ouvindo que precisam ser agradáveis o tempo todo. Então acabam assumindo responsabilidades demais, aceitando situações desconfortáveis ou colocando as próprias necessidades em último lugar.
Só que isso costuma gerar exatamente o efeito contrário.
Quanto mais você ignora seus limites, mais desgastada se sente.
Dizer “não” para algumas coisas abre espaço para dizer “sim” para aquilo que realmente importa.
Nem sempre é confortável. Nem sempre as pessoas gostam. Mas faz parte.
As redes sociais podem bagunçar a nossa percepção
É difícil não se comparar.
Você abre o Instagram e encontra alguém viajando, outra pessoa começando um negócio, alguém correndo uma maratona e outra parecendo ter uma vida perfeita.
O problema é que a comparação quase sempre acontece com uma versão editada da realidade.
Dados da Universidade de Yale mostraram que cerca de 60% das mulheres jovens fazem comparações negativas nas redes sociais, o que impacta diretamente a autoestima.
Quando isso acontece com frequência, é fácil começar a acreditar que todo mundo está evoluindo mais rápido do que você.
Só que cada pessoa está mostrando apenas uma parte da história.
Ninguém posta as inseguranças de terça-feira à noite, as dúvidas antes de tomar decisões ou os projetos que deram errado.
E se eu ainda não me sentir confiante?
Provavelmente você não vai acordar amanhã completamente transformada.
E tudo bem.
A confiança costuma crescer de forma discreta.
Ela aparece quando você dá sua opinião em uma conversa em que normalmente ficaria calada.
Quando faz algo mesmo sem ter certeza absoluta.
Quando aceita um desafio novo.
Quando estabelece um limite que antes não conseguiria estabelecer.
São pequenas situações que, acumuladas, mudam a forma como você se enxerga.
No fim das contas, virar uma mulher mais confiante não significa se tornar outra pessoa. Significa confiar mais na pessoa que você já é.
E isso acontece aos poucos, um passo de cada vez.
Se gostou desse artigo, pode gostar também de Como organizar a casa sem virar refém da faxina.
Sobre o Autor
0 Comentários